Envolvimento de irmão de Valdir com mulher de traficante motivou crime
Dois suspeitos pela morte do cabeleireiro Valdir Macário foram identificados pela Polícia Civil. O traficante Edgar da Silva Santos, o Chocolate, é apontado como mandante do crime, que aconteceu dentro do salão de beleza da vítima, na Avenida Vasco da Gama. Patric Ribeiro Tupinambá é um dos executores. Os dois já têm mandado de prisão expedido pela Justiça e terão os nomes incluídos esta semana no Baralho do Crime, que reúne os criminosos mais procurados do estado. O crime aconteceu em 12 de novembro do ano passado.
Chocolate e Patric serão incluídos no Baralho do Crime(Fotos: Divulgação)
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O delegado José Bezerra Junior, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que a morte do cabeleireiro tem relação com o atentado ao irmão dele, Reginaldo Manoel da Silva, um mês antes do crime. "Sabemos que outras duas pessoas também participaram da ação que resultou na morte do cabeleireiro e estamos trabalhando para identificá-las", diz.
O envolvimento do irmão de Valdir com a namorada do traficante Chocolate, líder do tráfico em Mussurunga, Stella Maris e Ipitanga, motivou o crime, segundo a polícia. Chocolate já foi preso algumas vezes por seu envolvimento com o crime. A polícia informa que ele tem pelo menos sente inquéritos contra ele e foi preso pela última vez em 18 de junho de 2015.
CrimeValdir Macário, 45 anos, foi morto com oito tiros dentro do seu próprio salão, no último sábado (12). Valdir era conhecido por ser especializado em cabelos crespos e por ter construído sua história no Engenho Velho de Brotas. Dois homens invadiram o estabelecimento com armas longas.
Nas imagens, é possível ver várias pessoas correndo, entrando no salão, e em seguida, dois homens armados aparecem. Duas mulheres que estão sentadas em outro cômodo do salão, parecem desesperadas e sem saber como agir. Uma outra mulher aparece, senta ao lado delas, mas depois vai embora. Durante um minuto do vídeo, não é possível ver o que acontece, mas um dos homens, com uma arma longa nas mãos volta para a entrada, fala com uma das mulheres e depois volta novamente para onde Valdir estaria.
Em seguida, as duas mulheres tapam os ouvidos e através do espelho é possível ver uma movimentação. Seria nessa hora que Valdir seria atingido pelos disparos. Depois, os homens saem correndo e fogem do estabelecimento.
Amigos, familiares e cantores lamentaram a morte do cabeleireiro. “Ele (Valdir) foi vítima de um crime que abalou muito a família e os amigos. Ninguém estava esperando por isso”, disse um amigo, que não quis se identificar.
O cantor Silvano Salles, que lamentou a morte do cabeleireiro. “Hoje vai meus Pêsames aos familiares do meu amigo e irmão #ValdirCabeleireiro / Descanse em paz meu amigo / Você vai fazer muita falta aos seus amigos. Muito triste!!!!”, escreveu o cantor no Facebook.
(Foto: Divulgação)
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CarreiraO famoso cabeleireiro Valdir Macário, 45 anos, também era formado em Moda. Mas a carreira no ramo da beleza começou bem antes da formação acadêmica, em 1986, quando ele cortava o cabelo de amigos e vizinhos na porta de casa, na Travessa Manoel Faustino - o Manguinho, no Engenho Velho de Brotas. Amigos contam que Valdir chegou a cortar cabelos de clientes embaixo de uma árvore.
“No começo, a gente sentava numa bobina de enrolar fio e ele cortava ali mesmo”, lembrou uma cliente. A dedicação dos Macários ao salão foi em homenagem à matriarca, Aída, mãe de oito filhos. No site do salão, a história do empreendimento se perde com a de dona Aída, “mulher com alma de rainha africana que espalhava, desde muito cedo entre os filhos e filhas, a importância de se alcançar a independência financeira, o poder, a união e a solidariedade conservando a dignidade e a simplicidade”.
Quando o negócio começou a dar certo, Valdir alugou um quartinho na mesma rua onde morava. O espaço ficou pequeno e ele mudou para uma sala na Avenida Vasco da Gama. Como o trabalho ganhou repercussão, ele comprou o prédio onde funciona a atual sede. Hoje, cerca de 15 pessoas trabalham do salão. “A maioria dos funcionários é da família. Ele dava oportunidade de trabalho para todas as pessoas que podia. Conseguiu tudo através do seu esforço, não era envolvido com nada de errado”, contou um ex-funcionário.
Além de cabeleireiro, Valdir era formado em Moda pela FTC. Na tarde do último domingo (13), ele foi homenageado na II Marcha do Empoderamento Crespo, que aconteceu entre o Campo Grande e a Praça Castro Alves. “Nós, mulheres negras, precisávamos de alguém do nível de Valdir para levantar a nossa autoestima. Ninguém chegava naquele salão com um problema sem sair de lá com ele resolvido. Valdir veio ao mundo com esse dom”, disse a amiga e cliente Jacira Sacramento de Santana, 57 anos, pedagoga.
Além de amigos, familiares e clientes saudosos, Valdir deixou esposa e dois filhos: um menino de cinco anos e uma menina de dois. Na saída do cemitério, o pequeno João se declarou: “Te amo, papai!”, disse, nos ombros de um tio.
Fonte Correio da Bahia
