Prefeitura de Lauro de Freitas homologa resultado de licitação cuja vencedora usou uma nota falsa

Prefeitura de Lauro de Freitas homologa resultado de licitação cuja vencedora usou uma nota falsa
Foto: Reprodução/Jornal da Metrópole
E continua a saga do Grupo Metrópole para tentar desvendar o mistério em torno do processo licitatório com valor de R$ 5.620.000 que escolheu a empresa que vai prestar serviços de locação de veículos para a Prefeitura de Lauro de Freitas. Desde a semana passada, o Jornal da Metrópole denuncia as supostas irregularidades cometidas pela vencedora da licitação, a empresa V S Dória & Cia Ltda, denominada de AISE-BRA Lokar Logistic Ltda. 

O imbróglio teve início em junho de 2014, quando o Grupo Metrópole teve acesso a duas notas fiscais praticamente idênticas: uma original, de um serviço que foi realmente prestado e outra falsa, apresentada pela empresa no processo licitatório. "A gente verificou a veracidade dessa nota fiscal e a cidade de Teixeira de Freitas mandou uma carta comprovando que aquela nota fiscal era falsa", conta o responsável por uma das empresas concorrentes, que prefere não ser identificado. 

Ainda segundo o empresário,  como a primeira documentação enviada não era esclarecedora, as empresas concorrentes solicitaram em Teixeira de Freitas um ofício que comprovasse a falsidade do documento - o que também foi enviado à gestão municipal em Lauro. Em julho, a Prefeitura de Lauro de Freitas se pronunciou sobre o assunto. "A Prefeitura entende que o caso é grave, pois envolve suposta prática de crime, e tomará as medidas adequadas", informou. Dois meses depois, porém, o processo ainda não chegou a uma solução e a licitação teve o resultado homologado pela gestão de Márcio Paiva (PP), prefeito de Lauro.

Procurada por empresa, prefeitura alegou investigação paralela De acordo com o responsável por uma das empresas concorrentes, os documentos que supostamente comprovariam as irregularidades foram encaminhados para a Prefeitura de Lauro de Freitas. "A Prefeitura de Teixeira de Freitas me mandou um documento informando que o teor da nota fiscal tinha sido alterado. Encaminhei para a procuradoria do Município e para a Comissão de Licitação de Lauro. Eles falaram que iam investigar paralelamente, que aquilo não era trabalho deles e que iam homologar de qualquer maneira", denuncia. 

"Não tem como atestar se é falso ou não"
 Segundo a Prefeitura de Lauro de Freitas, a licitação não pode ser revogada, pois a falsidade do documento fiscal ainda não foi comprovada pela Justiça.   "O Poder Judiciário afirmou que não tem elementos de provas para dizer que a nota é falsa e negou o pedido. A empresa pediu para suspender a licitação, e o Poder Judiciário afirmou que não ia suspender, pois não há nenhum elemento de prova que autorize concluir que a nota é falsa, por enquanto", diz o procurador geral de Lauro de Freitas, Rafael Barreto. 

"Não compactua com ilegalidade" 
Ainda segundo o procurador de Lauro de Freitas, o Executivo Municipal se compromete a executar a decisão da Justiça, assim que isso acontecer. "A Prefeitura  está aqui para cumprir a lei. Se for provado que existe uma nota falsa, a Prefeitura é a primeira a tomar medidas", garante Rafael Barreto. Ainda segundo ele, a gestão de Márcio Paiva "não compactua com ilegalidades", afirma. 

Exclusão de empresa depende da justiça 
De acordo com a juíza Zandra Anunciação, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Lauro de Freitas, se for confirmada a falsidade, a V S Dória & Cia Ltda pode ser substituída. "Caso se confirmem as alegações da impetrante no juízo de mérito, a convocação da segunda colocada no certame certamente poderá ser realizada, possivelmente com ocorrência de danos de menor gravidade", declarou, ao negar uma liminar de uma das empresas que perderam a licitação da Prefeitura de Lauro de Freitas. O caso ainda será julgado e não tem previsão para ser concluído.
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