Música nas escolas é lei: “A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte”-Titãs

As escolas do Brasil devem incluir o ensino musical em suas grades curriculares. A exigência surgiu com a Lei 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008. O município de Lauro de Freitas possui 93 escolas municipais e aproximadamente 30 mil alunos matriculados. Dentro deste universo, apenas a Escola Municipal Gregório Pinto, localizada no bairro de Vila Praiana, garantiu durante três anos o ensino musical, mas por falta de recursos teve que interromper o projeto.

Apesar de todas as dificuldades a escola foi referência na tentativa do cumprimento da lei. Os estudantes enxergam na música uma oportunidade e a realização de um sonho, “quero aprender tocar bateria, meu irmão tocava mais ele morreu”, revelou um garoto de 11 anos que teve um dos irmãos assassinado na comunidade próxima a escola. 

Muitas histórias tristes e conflitos familiares fazem parte da rotina, mas na hora de falar de música os olhos brilham e a vontade de aprender a tocar um instrumento fala mais alto, explica o professor Paulo Vizeu, que há mais de 10 anos desenvolve o projeto de instrumentação musical em escolas públicas. “A música representa uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para estes jovens”, acrescentou o músico aposentado da OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. 

Vizeu é um modesto amante da música, pelas suas contas mais de 250 alunos da rede municipal passaram pela sua batuta, “o nosso grande problema é a falta de espaços adequados e mais investimentos em instrumentos, material didático e mão de obra qualificada”. O mestre explica que os jovens aprendem com facilidade a ler partituras e a tocar violão, baixo, teclado e flauta doce. “Meu sonho é que todas as escolas tivessem aulas de música”, descreve o contrabaixista erudito. 

Há 10 anos Paulo Vizeu foi fazer um concerto com a OSPA nos Estados Unidos e ficou impressionado com o que viu. “Quase todas as escolas americanas oferecem aulas de música”, revelou o professor, que em seguida fez um parâmetro, “na ocasião existiam mais de 1.500 orquestras espalhadas pelos Estados Unidos e aqui no Brasil um pouco mais de 15. Isso mostra o nosso atraso”, lamentou.
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