Muitas histórias tristes e conflitos familiares fazem parte da rotina, mas na hora de falar de música os olhos brilham e a vontade de aprender a tocar um instrumento fala mais alto, explica o professor Paulo Vizeu, que há mais de 10 anos desenvolve o projeto de instrumentação musical em escolas públicas. “A música representa uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para estes jovens”, acrescentou o músico aposentado da OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
Vizeu é um modesto amante da música, pelas suas contas mais de 250 alunos da rede municipal passaram pela sua batuta, “o nosso grande problema é a falta de espaços adequados e mais investimentos em instrumentos, material didático e mão de obra qualificada”. O mestre explica que os jovens aprendem com facilidade a ler partituras e a tocar violão, baixo, teclado e flauta doce. “Meu sonho é que todas as escolas tivessem aulas de música”, descreve o contrabaixista erudito.
Há 10 anos Paulo Vizeu foi fazer um concerto com a OSPA nos Estados Unidos e ficou impressionado com o que viu. “Quase todas as escolas americanas oferecem aulas de música”, revelou o professor, que em seguida fez um parâmetro, “na ocasião existiam mais de 1.500 orquestras espalhadas pelos Estados Unidos e aqui no Brasil um pouco mais de 15. Isso mostra o nosso atraso”, lamentou.
